Oi gente! Hoje Bella vai aprontar tanto que Edward acaba perdendo a paciência...
Título: Um Selvagem Diferente
Autora(o): Lunah.
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, Comédia, Universo Alternativo, Amizade, LimeCensura: NC-18
Autora(o): Lunah.
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, Comédia, Universo Alternativo, Amizade, LimeCensura: NC-18
Um Selvagem Diferente
By Lunah
Atenção: Este conteúdo foi classificado
como impróprio para menores de 18 anos.
"Estou ciente, quero continuar!"
Capítulo 23 - Eu Não Desisto, Você
Não Desiste II
Depois de dar uma bronca em Toby por
pegar porcarias no quarto de Brad, insisti que Edward e sua mãe fossem
conversar no escritório de Charlie. O cara não foi mal educado, mas também não
se mostrou entusiasmado. Ele não estava deixando transparecer nenhuma emoção
que denunciasse seus pensamentos e isso não era nada bom.
Eu e meus amigos ainda não
acreditávamos que Sarah Ryan (a atriz mais bem paga depois de Julia Roberts)
estava de fato em nosso cortiço. Ficamos na sala inquietos para saber o
desenrolar do encontro de uma estrela de cinema com seu filho criado na selva.
Infelizmente os minutos passaram, passaram e passaram. Quase uma hora e meia
depois foi que a porta do escritório se abriu e de lá saiu uma Sarah cabisbaixa
e com os olhos vermelhos. Ela sorriu cordialmente para nós, entregou um cartão
de visitas a Edward e se despediu com um aceno de mão.
Quando a atriz atravessou a porta da
frente, quis correr atrás dela, pedir um autografo, contar que cresci vendo
seus filmes, porém murchei diante da fachada controlada e aparentemente serena
de Edward.
– T-zed, está tudo bem, cara? – Jazz indagou.
O selvagem assentiu, em seguida saiu
pela porta dos fundos nos deixando intrigados.
– O que rolou lá? – Lice abriu os braços.
– Vamos deixá-lo digerir o que aconteceu. Não vamos incomodá-lo. – Jully pediu com sabedoria.
Edward precisava de um tempo sozinho e
nem mesmo eu podia tirar isso dele.
– Cadê o Toby? – Olhei para os lados, procurando-o. – Faz quanto tempo que ele sumiu?
Ninguém soube responder.
– Vamos procurá-lo. – Lice me arrastou para o jardim e logo que nos afastamos dos
demais, iniciou o interrogatório. – T-zed deu em cima de você? – Seus olhos brilhavam de curiosidade.
– Querida Alice, o que você chama de “dar em cima”? – Tentei enrolar.
– Querida retardada, o que você chama de “levar na cara”? – Chateou-se.
– Tudo bem... – Continuei a vagar pelo jardim e ela me acompanhou. – Não aconteceu nada de mais. Ed
estava literalmente drogado e falou meia dúzia de bobagens.
– Aaah... – Lice desanimou.
– E ele tipo... – Tossi dando uma disfarçada. – Deu um tapa na minha bunda.
A garota paralisou com uma expressão de
perplexidade e deboche.
– Nem vem! – Falou alto.
– Juro. Primeiro ele deu aquela apertada, depois tascou a mão com
vontade. – Retorci a boca, preocupada. – Só não me zoa, tá?!
Ela já estava tendo uma crise de riso.
– T-zed
é um danadinho... – Saiu cantarolando e saltitando. Já eu fiquei para trás, com a
maior cara de otária. – Sempre soube
que ele era um danadinho...
– Eu não mereço. – Lamentei revirando os olhos.
Feito uma zumbi, segui Alice, dando a
volta na casa até parar no quintal.
– Bella! – Ela gritou e corri para alcançá-la.
– O quê? – Ofeguei.
– Olha o que aquela criatura sem noção está fazendo! – Apontou para o pancinha.
Ele estava no fundão do quintal com uma
pá, jogando um pouco de areia em um pequeno buraco.
– Ninguém tem misericórdia da minha paciência! – Irritada, marchei até lá.
Vendo que eu estava chegando cada vez
mais perto, o gordinho se apressou no serviço.
– Ninguém se mete porque o caso é pessoal. – Toby ficou afobado.
– Mas que cace... – Perdi a voz, finalmente vendo o que ele estava enterrando.
Alice chegou junto e...
– AAAAAAHHHHH! – Desesperou-se agitando as mãos.
Por um momento fiquei sem reação, pois
na pequena cova estava o papagaio do velhote surdo, embrulhado do pescoço às
garras em plástico bolha... VIVO!
– Seu gorducho lazarento dos infernos! – Pirei, arrancando-lhe a pá e
Alice tratou de tirar a ave da cova.
– Pô, gente... – Ele reclamou com a voz chorosa. – Esse bicho implica comigo.
– Se olha no espelho, até Deus implicou com você! – Fui má, mas o moleque merecia.
– Que foi? Vai cair pra dentro, sua lombriga anêmica, sua canela
seca! – Retrucou.
Estreitei os olhos, louca para pipocar
minha mão nas fuças dele.
– Francamente... – Alice começou a desmumificar o papagaio. – Pra quê o plástico bolha? Por
acaso vai despachar via Fedex pro céu?
– Toby, some...daqui...agora! – Falei por entre dentes.
O garoto saiu correndo e minha amiga
deu-me a boa notícia.
– O papagaio está bem. – O livrou totalmente do plástico. – Vamos colocá-lo de volta na
gaiola antes que o hóspede perceba.
– Boa ideia. – Estendi as mãos para pegá-lo.
Caminhando apressadamente para casa,
mantive o bicho o mais longe possível de mim. Com medo de que bicasse minhas mãos,
não tirei os olhos dele.
– Muita calma nessa hora. – Lice estava aflita. – Não deixa essa porcaria escapar.
É claro que me chateei.
– Olha bem pra minha cara, acha que sou idiota? Não vou deixar
escapar!
Assim que me calei, tropecei numa
pedra, desabei lascando a cara no chão e a ave bateu as asas pro mundo.
Por alguns segundos ficamos só
assistindo o papagaio desaparecer de nossas vistas. Então Alice voltou-se para
mim, cruzou os braços e me fuzilou com o olhar.
Sem coragem para levantar, afundei o rosto
na grama e murmurei:
– Pelo amor de Deus, me leva pra aquela cova e me enterra. – Não podia estar mais frustrada.
– Levanta daí que lá vem o dono do papagaio. – Puxou-me pelo braço,
extremamente nervosa.
Fiquei de pé o mais rápido possível e
comecei a pensar em como “tirar o meu da reta”.
– Onde está meu papagaio? – O velho indagou ao se aproximar. Ele nos fitava como se fôssemos
delinqüentes.
Alice e eu trocamos um olhar, então
respondi:
– Eu não sei. – Pronunciei as palavras, mas não deixei nenhum som sair da minha
boca.
– O quê? – Gritou ranzinza.
– Eu... não... sei. – Repeti, ainda sem fazer barulho algum.
– Como é? – Ficou meio desorientado.
– Não sabemos. – Alice respondeu mexendo só os lábios.
O senhor colocou o indicador no ouvido,
o chacoalhou e começou a acreditar que ficara surdo de vez.
– Preciso tomar meu remédio. – Assustado, enxugou o suor da testa.
– Vai com ele. – Fiz com que Alice lesse meus lábios. Ela fez sinal de OK e se
mandou com o hóspede. Após um longo suspiro, constatei que: – Eu tô é fritinha!
(...)
Reuni a galera para procurar a ave. Com
a altivez de quem já estava cansada de se estrepar, convoquei até mesmo as duas
pessoas que estavam pilhando a minha paciência. Eu, que não sou besta, as
responsabilizei pela fuga do papagaio.
Brad: por não ter ficado de olho no
pancinha.
E Toby: por existir.
Emmett e Jasper ficaram comigo perto
das árvores, no lado esquerdo do jardim. Com cabos de vassoura, ficamos
cutucando as copas na esperança do papagaio sair voando de uma delas.
– Aqui, aqui, papagaio. Aqui... – Jazz bateu palmas.
– Ele não é um cachorro. – Fiz uma careta de desaprovação.
– Uma hora o bicho vai aparecer. – Emm jogou alguns grãos de milho no chão.
– E nem uma galinha. – Balancei a cabeça, bastante mal humorada.
– Qual a sua, Bel? Está muito chata hoje. – Emmett reclamou.
– Estou é? – Me entristeci.
– Com certeza. – Meu irmão continuou batendo palmas.
– Só estou estressada.
– É porque T-zed “passou o rodo” em você? Ou porque amanhã ele vai
“passar” em outra pessoa? – Emm riu.
– Nem começa! Não aconteceu nada, vocês sabem que é só mais uma das
lorotas da Alice.
Percebi tarde demais que não
acreditavam que Ed fosse mesmo capaz de me assediar, mas nem por isso deixaram
de me zoar.
– Então é porque o cara vai “passar” em outra amanhã. – Jasper falou para Emmett, me
excluindo da conversa.
– Vou ignorar esse merdelê todo. – Continuei procurando o papagaio.
– Se T-zed gostar da tal Melanie, e se o Me Azare! levar os dois para Miami, o sujeito tem que estar preparado. – Disse Emmett.
– Como assim? – O encarei.
– Ontem tivemos uma conversinha com ele lá na praia. – Meu irmão se intrometeu.
– Disseram para Ed ser cauteloso? Disseram que a primeira vez de um
homem é importante, certo? Não se faz sexo por pressão. Deram um conselho
ajuizado para ele, não é?– Meio sem jeito, coloquei uma
mão na cintura.
– Claro... – Emmett analisou as copas, não se importando muito com a conversa.
Senti até uma ponta de deboche em sua voz.
– Resumindo...? – Pressionei mais um pouco.
– Resumindo, isso não é papo pra você, Bella. O passeio sexual de
T-zed na periquitolândia não é da sua conta! – Jasper bancou o cretino.
– Jazz, cala essa boca se não eu fecho o tempo contigo! – Ameacei erguendo o cabo de
vassoura.
– PESSOAAAAL! – Lice berrou. Nós viramos para fitá-la e, a muitos metros de
distância, nos chamava com as mãos.
(...)
Na lateral direita da casa, afastados o
suficiente para ter uma boa visão do telhado, nos amontoamos discutindo para
decidir quem ia subir nele só pra pegar o maldito papagaio que dava uns rolé
por lá.
– Na boa, acho que o McFadden é quem deve ir resgatar a ave. – Me pronunciei.
– Vai sonhando, Bells. – Se irritou, ficando frente à frente comigo. – Não tenho nada a ver com essa
droga.
– Espera aí, meu querido. Você tinha a obrigação de ficar de olho
naquele gorducho larazento. – Falei com mais tranqüilidade do que esperava.
– Gente, eu tou aqui. Toma aí cuidado com a língua, falô! – Toby estalou os dedos querendo
atenção.
– Se liga, não sou baba de pentelho. – Brad aumentou a voz. – O moleque só faz porqueira. – Quis me intimidar com o olhar.
– Sério, é meio impossível eu ser invisível, né não? – Toby chacoalhou a pança com as
mãos.
– E daí, Brad?! Você e sua banda estão aqui no bem bom. Cuidar do
boca-suja era o mínimo que podia fazer. – Joguei a verdade em sua cara.
– Nós estamos aqui para tocar, pra dar show! Eu lá tenho culpa se as
festas de vocês são mal organizadas e desastrosas?
– Você... você... – Cacei um argumento e não encontrei, pois nós éramos mesmo uma
porcaria no quesito festa. – Emmett, vai buscar a escada. – Vociferei disposta a resolver a parada sozinha.
Meu amigo foi correndo e voltou quase
voando. Peguei a enorme escada e a posicionei da melhor forma possível.
– Estou cercada de homens frouxos. – Resmunguei subindo os primeiros
degraus.
Brad gemeu contrariado, em seguida
colocou as mãos em minha cintura e arrancou-me da escada.
– Não somos frouxos, somos extraordinariamente cautelosos. – Jasper riu.
Dei alguns passos atrás e assisti satisfeitíssima
o Brandido subir na escada e chegar ao telhado rapidinho. Ele pisava nas telhas
com muito cuidado e estudou o melhor jeito de agarrar o papagaio.
– Não assuste o bicho. – Alice gritou.
– Um passo de cada vez, cara. – Emm incentivou.
– Calem a boca! – Ele berrou, chegando cada vez mais perto da ave.
– Coise
no reto! – O papagaio começou a tagarelar. – Gorducho
lazarento.
– Aí ó! Sacanagem! – Toby pegou uma pedra e não hesitou em jogá-la contra seu inimigo.
Felizmente o garoto errou o alvo.
O papagaio voou, mas logo pousou na
pontinha no telhado, dificultando ainda mais nossa vida. Os três passos que
Brad deu em direção ao animal fizeram algumas telhas rangerem e instintivamente
fiquei tensa.
– Todo cuidado é pouco. – Gritei.
– Eu sei o que estou fazendo. – Procurando se equilibrar, ele deu mais um passo e depois outro, e
outro...
Até que de repente, ao pisar em falso,
algumas telhas despencaram fazendo Brad deslizar tão rápido que mal tivemos
tempo de gritar. Automaticamente fechei os olhos e, quando não ouvi o baque do
corpo contra o solo, os abri avistando o cara se segurando na calha. Suas
pernas balançavam conforme tentava subir de volta no telhado.
– Se segura! – Lice berrou, nervosa.
McFadden soltou um festival de
palavões.
– Brandida, sua louquinha. Não me vai cair daí, hein?! – Jasper zombou e Emmett
gargalhou.
– Não se preocupe! – Gritei indo socorrê-lo, mas nem deu tempo, a calha cedeu e meu ex
caiu de dois andares.
(...)
3 HORAS DEPOIS...
– Isso é o que chamo de justiça poética. – Sorri torto.
Sentada no sofá, me abanei com uma
revista observando Brad, acompanhado por Emm, atravessar a porta da frente com
a perna direita engessada. Meu ex se apoiava em uma bengala e com a outra mão
segurava uma garrafa de whisky. A diferença entre Edward e Brad, é que o
selvagem não tinha quebrado nenhum osso.
– Sei não, está mais para justiça divina. – Satisfeita, Jully sentou no
braço do sofá.
– Se alguém falar mais alguma coisa, eu vou descer o braço! – Brad estava irado.
– Ele vai ficar bem. – Emmett deu um tapinha nas costas do roqueiro.
– Não reclama Brad, podia ter sido pior. – Fiquei de pé.
– Nem imagino como. – Mancando, alcançou uma das poltronas e desabou nela.
– É sim. Tipo, você podia ter quase morrido afogado! – Ainda estava ressentida pelo
que fez com Ed.
– Nem começa. – Revirou os olhos, entornando o whisky. – O anormal pulou do penhasco
porque quis. É ridículo vocês ficarem me culpando por isso.
Balancei a cabeça reprovando-o.
Enquanto estudava McFadden, comecei a me sentir estranha... Por muito tempo,
internamente, admirei ele. Sempre foi fácil ficar encantada pelo seu jeitão bad
boy, sua auto-suficiência, sua pose de superior, seu sorriso provocador...
Estar com Brad era com viver uma aventura, nunca se podia ter certeza de nada.
Porém, tudo isso que eu admirava eram características de alguém egoísta. É
claro que eu já tinha percebido isso fazia tempo, o problema é que antes eu me
importava muito. Ficava revoltada em vê-lo ser tão egocêntrico, ou ficava
deprimida por suas palavras terem uma forte influência sobre mim. Eu ainda não
sabia como ou por que, mas eu estava ficando indiferente. Primeiro não derramei
nenhuma lágrima quando o encontrei com a ruiva, e agora não estava ligando para
sua falta de consideração. O que tivemos no passado ainda mexia muito comigo,
só que isso não me impediu de sentar, relaxar e deixar que ele soltasse
provocações para o nada.
– Tudo bem. Só cumpra a sua parte da aposta. – Disse-lhe.
Brad gargalhou, não crendo no meu
pedido.
– Só pode estar de onda! – Aumentou o tom de voz.
– Bella tem razão. – Emmett sentou ao meu lado. – Aposta é aposta.
– Nem houve competição, vocês sabem disso.
– Não houve porque você ficou para trás, desistiu. Sendo assim,
Edward é o vencedor. –Retruquei.
– E quem fez de você a juíza? – Bebeu mais um pouco. – Nem sei por que estou discutindo isso. É perda de tempo. Não vou
dar nada a ninguém.
– Vamos facilitar as coisas, mano. Não precisa dar o carro, mas deve
mil e quinhentos a T-zed. – Emm falou com firmeza.
– Nós sabemos que você não tem palavra, Brad. Mas escuta, ou cumpre
o acordo, ou pegue suas tralhas e dê o fora daqui. – O encarei confiante.
Ele arqueou a sobrancelha, nitidamente
se remoendo de raiva por dentro. Brad tinha um ego do tamanho do mundo, por
isso não baixou a cabeça para nós. Eu tinha certeza que ele preferia nos dar a
sua amada guitarra a nos dar um motivo para humilhá-lo.
– Eu descolo mais do que isso em uma apresentação. – Com ajuda da bengala se
levantou. – Se vão ficar chorando por causa
dessa merreca, eu pago. O carinha é um desempregado, ele precisa.
Continuei indiferente, mas pela
primeira vez vi Emmett fitar Brad como se fosse socá-lo.
– Jasper pegou o papagaio! – Meu irmão entrou pela porta da frente se achando um herói, já com
o bicho preso da gaiola.
– Como fez isso? – Jully ficou surpresa, e não foi a única.
– Na verdade, foi bem simples. Jasper lambuzou o Toby com mel e
polvilhou comida para pássaros nele, depois foi só deixá-lo no meio do jardim
com os braços abertos feito um espantalho.
– E cadê o garoto? – Indaguei preocupada.
Jasper pigarreou.
– Fugindo de alguns pombos.
Os berros do pancinha ecoaram pela
mansão.
(...)
A noite caiu, servimos o jantar, depois
o Link 69 saiu, alguns hóspedes se recolheram e meus amigos se reuniram no
escritório.
Por estar preocupada com Edward, deixei
a galera discutindo planos para o resort e finalmente saí em busca do selvagem.
Eu sabia que ele só podia estar em dois lugares: na casa da árvore, ou na jaula
do puma. Levando em consideração sua torção, fui direto para o final do jardim
onde escondíamos o felino.
Edward estava sentado dentro da jaula
escrevendo em sua agenda. Já o puma bebia água em uma bacia ali perto. Não me
aproximei muito para não deixar o animal agitado, e foi assim que tive a chance
de observar o selvagem distraído.
Eu não sabia o que ele estava
escrevendo, mas a julgar pelo longo suspiro que soltou, devia ser algo que o
deixava melancólico. Ed passou uma mão nos cabelos e fechou os olhos,
visivelmente esgotado.
– Como está o tornozelo? – Perguntei em voz alta.
Edward ergueu a cabeça e me fitou com
uma expressão indecifrável.
– Estou bem.
– A Jully falou para deixarmos você em paz, mas eu acho que nasci
para te tirar a paz...– Tentei brincar.
– Não se preocupe, Bella. – Fez um carinho na cabeça do puma, em seguida se levantou
apoiando-se nas muletas.
– Quer jantar?
– Não.
Edward saiu da jaula e caminhamos bem
devagar de volta para casa.
– Quer que eu carregue isso? – Indiquei a agenda que estava em baixo do seu braço.
– De jeito nenhum. – Finalmente sorriu.
Eu não podia deixar a chance passar.
– Brad pagou parte da aposta. – Tirei o cheque do bolso e o exibi.
– Bom. – Parou para me olhar.
– Quer que eu vá ao banco amanhã?
– Você sabe que eu não quero o dinheiro do Brad.
Eu meio que já esperava por isso, mas
tinha a obrigação de insistir.
– Você se machucou por esse dinheiro, merece ficar com ele.
– Não insista, por favor. Reponha o dinheiro que tirou para me
ajudar.
– Tem certeza? – Eu sabia que Ed estava fazendo a coisa certa, mas me senti um
pouco culpada.
– Absoluta.
– Espera. – Guardei o cheque e estendi a conversa. – Eu não tenho cacife para te
passar sermão, mas pular do penhasco foi uma baita estupidez.
– Eu sei. – Desviou o olhar com um suspiro. – Não imagina o quanto estou decepcionando
comigo mesmo. Sempre me esforcei para ser uma pessoa equilibrada e, por puro
orgulho, agi como um inconsequente. Geralmente não ligo para provocações, mas
ontem, por motivos que nem compreendo totalmente, me deixei levar pelas
infantilidades de Brad. Devo desculpas a todos vocês.
– Tá de boa. – Afaguei seu braço. Edward era muito severo consigo mesmo, eu é que
não ia colocar pilha.
– Obrigado. – Ele se preparou para andar, mas pareceu que algo lhe ocorreu. Ao
me encarar, franziu o cenho perguntando: – Bella... Eu te “desrespeitei” ontem... de alguma forma? Minhas
lembranças estão meio embaralhadas. É que sonhei com tanta coisa estranha...
Primeiro fiquei tensa, depois sorri
sendo o mais convincente possível.
– Não vá na onda da Alice. É claro que não aconteceu nada... – Enfiei as mãos nos bolsos e
fitei o chão. – Imagina... Você sabe que nunca
me “desrespeitaria”. – Revirei os olhos.– Não é do seu feitio. – Para evitar o assunto, voltei a
caminhar e Ed me acompanhou.
O que aconteceu foi um caso isolado.
Não pretendia torturar meu amigo com coisas que fez fora de seu juízo normal.
– Sendo assim, pede a Alice pra parar de me chamar de danadinho.
– Ela fez isso? – Gargalhei super alto.
Ao subirmos a escadaria para chegar ao
meu quarto, Edward recusou minha ajuda, mas ainda assim fiquei por perto só
para garantir. Logo que chegamos ao quarto, troquei de roupa enquanto o
selvagem tomava banho.
– Eu vou dormir na cama auxiliar. Ela é muito pequena pra você. – Avisei, vendo-o sair do
banheiro com o peito desnudo e os cabelos úmidos.
– Não se preocupe, eu nem vou dormir. – Usou só uma muleta para chegar
até à sua mochila de acampamento que estava em cima da cômoda.
– Como assim?
De dentro da mochila ele tirou um pote
de madeira de uns trinta centímetros.
(...)
Mesmo Edward tendo insistido para que
eu fosse dormir, fiquei na cola dele. Fomos para a cozinha e assisti
atentadamente ele preparar uma pasta com um pó verde de cheiro estranho.
– O que é isso? – Espichei os olhos sobre a gosma que ele aplicava no tornozelo e no
pé.
– Tem certeza que quer saber? – Respondeu rindo.
– Não. – Fiz uma careta com medo da resposta. Parecia algo muito nojento. – Mas isso vai fazer você
melhorar, certo?
– Certo. – Sentando em uma cadeira e com a perna apoiada em outra, começou a
enfaixar o local machucado.
– Bem que você poderia ter me dado um pouco disso quando torci meu
tornozelo. –Comentei por comentar.
– Para você jogar fora como fez com o diamante? – Balançou a cabeça, desgostoso. –Na época você não se importava muito com os meus conselhos.
Como ele sabia sobre o diamante? Os
rapazes teriam dado com a língua nos dentes recentemente? Ou todo esse tempo Ed
sabia, só que nunca comentou? Não tive coragem de perguntar. Senti um pouco de
remorso, o suficiente para me calar por vários minutos.
Quando Edward foi para a sala, o segui
e ficamos empoleirados no sofá. Pelo que me contou, o cara teria que trocar a
pasta a cada hora até o dia amanhecer. Mesmo morrendo de sono, não hesitei em
lhe fazer companhia.
Liguei a Tv e fiquei mudando de canal
sem prestar muita atenção na programação, até que, de repente, demos de cara
com um dos filmes de Sarah. O título era: Nem Tudo é Por Acaso.
– Quer que eu desligue a televisão? – Indaguei.
– Não precisa fazer isso por minha causa. – Deu de ombros.
Encontrei naquela feliz coincidência a
chance de especular sobre o que acontecera no escritório.
– Nem acredito que apertei a mão dela e não tirei uma foto. Durante
minha adolescência sonhei em ser atriz. Imagine só, eu, atriz. – Gargalhei. – Mal sei interpretar a Charlene
Créu Créu.
– Nessa profissão geralmente é necessário ter uma habilidade
extraordinária para mentir.
– Não consegue perdoá-la? – Perguntei com cautela.
Edward ficou olhando para o vazio e
demorou bastante para responder.
– Não sei o que sinto em relação a Sarah. Não sinto raiva ou
desprezo, mas também não consigo enxergá-la como minha mãe. Quando garoto,
sentia que era um peso na vida dela. Porém, sou grato por Sarah ter me deixado
em Malaita. – Passou a observá-la na Tv. –Quando conversamos a sós ela chorou, pediu perdão, disse que
sempre pensou em mim, mas tinha vergonha e medo de me procurar. Falou que se
arrependia, que era imatura demais na época e tomou a pior decisão de sua vida.
Me contou que trocaria tudo o que tem hoje por uma chance de voltar atrás. – Suspirou e eu quase senti na
pele suas contradições emocionais. –Só que eu... fiquei apenas a
encarando, sem nada a dizer, sem nenhum consolo a dar, sem nenhuma acusação a
fazer. Não é que eu tenha sido insensível de propósito, mas é que mesmo Sarah
tendo mudado pouco fisicamente, me senti diante de uma total estranha.
– Talvez só precise renovar seus laços com ela. Quem sabe um pouco
de convívio...
– É meio tarde para ela retomar a função de mãe.
– Mas não é tarde para ela assumir a de amiga. – Passei um braço em volta dos
ombros dele. – Não estou falando isso porque
sou fã dela... É que... – Respirei fundo. – Nunca se perguntou onde está minha mãe?
Edward baixou a cabeça, lamentando
silenciosamente.
– Pois é... – Continuei. – Quando eu tinha 15 anos, meus pais se divorciaram também. Jasper e
eu moramos com nossa mãe no Texas por alguns meses, só que não suportávamos o
novo marido dela e tínhamos muitas saudades de Orlando, do meu pai, da mansão,
dos amigos... – Sorri com pesar. – Então voltamos para cá, mas
minha conexão com minha mãe foi diminuindo. Não sei ao certo porque, não sei de
quem é a culpa. Hoje nos falamos esporadicamente pelo telefone. – Fiz uma pausa e ele me
incentivou a falar, pousando a mão em meu joelho. – Não me entenda mal, eu a amo do
meu jeito, só que às vezes sinto que ela não se importa o suficiente conosco.
Eu tenho o afeto do meu pai, do meu irmão e dos meus amigos, e isso já é mais
do que eu mereço na vida, só que algumas vezes também sinto falta de um colinho
de mãe. O que estou tentando dizer é que Sarah errou feio, mas ela teve a garra
de chegar aqui, mesmo correndo o risco de ser escorraçada por você, e pediu
perdão. Elarealmente se importa, Edward. Do que
adianta culpá-la agora se até você acha que ser criado em Malaita foi a melhor
coisa que lhe aconteceu? – Em um gesto de amizade, encostei minha cabeça junto à dele. – Vamos lá... Aprendi de uns
tempos para cá que algumas coisas pertencem somente ao passado. Elas devem
ficar enterradas lá. – Afastei minha cabeça para encará-lo. – Não precisa sair correndo para
abraçar Sarah, mas dê a você mesmo a chance de conhecê-la melhor. – Quando dei por mim, já estava
com a mão em sua bochecha. – É incrível como podemos nos surpreender com as pessoas. – As últimas palavras saíram em
um desconcertante murmúrio.
Engoli em seco, completamente hipnotizada pelos olhos inocentes e ao mesmo tempo selvagens de Edward. As pintinhas cinzas contrastando com o azul encorpado, me provocaram uma leve palpitação. Era errado fitá-lo daquele jeito, só que eu não conseguia me mover.
– Obrigado por não desistir de mim no mar. – Ele sussurrou sem pestanejar.
O rosto de Edward estava tão próximo ao
meu que eu podia sentir seu hálito em minha pele e me via claramente em suas
pupilas.
Entre eu e ele, havia um mundo inteiro
de diferenças, mas em alguns raros momentos, entre uma pessoa e outra, tudo que
existe é... ar.
Em uma ação mútua, rompemos os centímetros
que separavam nossos lábios e, para o deleite de um estranho desejo reprimido,
nos beijamos.
Os dedos de Ed penetraram em meus
cabelos, fazendo-me inclinar a cabeça um pouco para trás. Minhas mãos ficaram
moles sobre minhas coxas, pois eu ainda não havia encontrado forças para
corresponder devidamente a algo tão deliciosamente imprudente. Edward pareceu
não se importar e continuou a sugar meus lábios, soltando às vezes um rosnado
muito baixo.
A boca dele era tão quentinha e
singular. A rala barba roçava em minhas bochechas e queixo provocando-me uma
leve e adorável ardência. Meio derretida, soltei um gemido que era um misto de
angustia e satisfação. Nesse momento fui guiada por um instinto de proteção,
talvez quisesse proteger nossa amizade, ou possivelmente meus próprios
sentimentos. Então deslizei para fora do sofá, caindo de joelhos no carpete,
mas Edward continuou a me beijar, se juntando a mim no chão.
Eu era bem mais experiente que Ed, só
que naquele momento me via como garotinha com medo de atravessar a rua, com
medo de descobrir o que existe do outro lado.
Minha atração pelo selvagem tornava-se
cada vez mais gritante e eu já não sabia como lidar com isso. Será que era
possível querer loucamente um homem mesmo amando erroneamente outro? Eu seria
capaz de ignorar o fato de que as mãos dele, mesmo ásperas, eram carinhosas?
Dava para fingir que seu cheiro não se tornou familiar demais? Como eu ia
esconder que, quando ele abre a boca, simplesmente rouba toda a minha atenção?
Meus braços se rebelaram contra mim e
envolveram a cintura de Edward enquanto ele espalhava beijos por meu queixo,
bochecha e novamente os lábios. De olhos bem fechados, cedi ao prazer de cada
uma dessas expressões de cobiça e cumplicidade. Eu simplesmente sucumbi!
Totalmente fora de mim, agarrei-lhe os
cabelos da nuca e devorei sua boca com avidez. Edward pressionou-me contra si e
o senti carregado de desejo, na verdade, me queimava com ele conforme suas
palmas deslizavam por minhas costas, chegando à cintura, e um pouco mais
além... Suas palmas pareciam tão grandes, pois me segurava com firmeza e
confiança. O que será que ele diria se soubesse que toda vez que rosna baixinho
uma corrente elétrica atravessa meu corpo e sem querer me contorço?
Edward era sensual de um jeito tão
único que até me sentia estúpida por não ter percebido isso antes. Oh Deus, o
que está acontecendo comigo? Ele era tão desinteressante... era tão... tão...
Droga! Será que antes eu não conseguia enxergá-lo de verdade por ser preconceituosa?
Essa aqui não sou eu, tenho certeza
disso! É só uma versão minha carente, apegada demais a Edward e
completamente influenciada pelas circunstâncias.
Embora eu estivesse prestes a discutir
comigo mesma, não fui capaz de interromper nossa fuga da realidade, porque era
tão gostoso... Até lambi a boca de Ed, arranhando delicadamente suas costas.
Ele imediatamente reagiu, subindo as mãos por dentro da minha blusa. Ofeguei ao
sentir seus dedos em minhas costelas, quase chegando aos seios. Eu estava
começando a perceber que Edward era como um felino selvagem: uma vez provocado,
o certo é correr... ou ele te devora.
Como se a bolha em que estávamos
estourasse, nos separamos rapidamente ao ouvir o baque que a porta da frente
produziu ao ser aberta pelo Link 69. Eles invadiram fazendo a maior algazarra.
Estavam bêbados e Brad mal conseguia ficar de pé. Não sei dizer o que ele viu,
mas lançou-me um olhar tão frio e penetrante que, sem querer, solucei
altíssimo.
Edward se levantou resmungando algo que
não entendi, então se virou para Brad e disse:
(Continua...)
Diário de Bordo - Edward Cullen
Orlando, EUA.
Eu tive um sonho.
Mesmo depois que acordei desse sonho
ainda me sentia preso nele. Minha mente me transportou para um mundo
completamente distorcido. Um mundo onde um guerreiro agia como um tolo
impulsivo, e uma tola impulsiva agia como uma guerreira.
Houve uma época em que pensei que, se
estudasse um individuo, com o tempo seria capaz de prever suas atitudes. Esse
pensamento foi derrubado pela ação de uma única pessoa: Bella.
Estou todo esse tempo analisando-a e
até achei que estava compreendendo melhor sua natureza, mas aqui estou eu,
novamente procurando entendê-la. Preciso saber o que a fez saltar do penhasco
para me ajudar. Bella desafia toda a lógica! Ninguém em plenas faculdades
mentais arriscaria a própria vida por alguém que conhece só há algumas semanas.
Não sou como Emmett e Alice, a quem ela conhece desde criança. Sou um
“selvagem” que invadiu seu território e modificou seus planos de férias. É
verdade que nos tornamos mais íntimos do qualquer um podia imaginar, só que
isso não explica nem justifica sua iniciativa de atar o próprio destino ao meu
naquelas águas turbulentas.
“Atados” é uma boa palavra para
definir nossa situação, pois agora tenho uma dívida de gratidão com Bella e
farei até o impossível para honrá-la. Bella pode não ter consciência da
grandeza desse elo, mas o respeitarei como se fosse sagrado. Mesmo que os anos
passem e que a lembrança do que aconteceu evapore de sua memória, se Bella
precisar de mim... eu retornarei a essa terra por ela.
Sinto-me um pouco mal por ter
criticado tantas vezes sua impulsividade. Ontem também fui impulsivo e vi que
não é exatamente uma opção. Tudo está ligado às circunstâncias e, quando não
sabemos lidar com elas, a mente sofre um bloqueio o os sentimentos dominam as
ações. Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Eu estava bastante chateado
por Bella ter aceitado a ajuda de Brad quando perdeu parte do biquíni. Como a
garota pode dizer que quer afastar-se dele se aceita favores que sabe que ele
vai cobrar? Quero muito vê-la livre de sua obsessão pelo ex-namorado, e é por
isso que me incomoda assistir suas pequenas recaídas. Eu não chego a lhe
culpar, porque deve ser mesmo difícil lutar contra tamanha fixação, mas fico
irado com Brad. Ele é ardiloso, explora as fraquezas da garota só para achar
que está no controle. Quando ele começou a me provocar, me senti no dever de
colocá-lo em seu devido lugar. E esse foi justamente o meu erro, eu não estava
pensando, só estava sentido... Sentido muita raiva!
Agora vou pensar duas vezes antes de
criticar mentalmente Bella. A garota só é cheia de sentimentos que não sabe
administrar. Eu já nem estou ressentido por ela e Alice terem me inscrito no
programa de Tv. As duas fizeram loucuras com a intenção de me conduzir às
experiências que tanto busco. É claro que preferia que tudo fosse diferente e
menos absurdo, mas já está feito. No final das contas, não foi tão
constrangedor, sobrevivi a ridículas investidas de garotas esquisitas e fui
recompensado com a chance de conhecer pessoalmente Melanie.
É muito cedo para formar uma opinião
sólida sobre essa moça, mas de todas as pessoas que conheci aqui, ela foi a
única que me causou uma empatia instantânea. O perfil que Bella me mostrou é
muito interessante. Melanie tem preferências com as quais me identifico e isso
me fez sentir menos “singular”. Não estou desesperado por uma namorada, só que
seria muito bom encontrar alguém que espante a sensação de que sou “um peixe
fora d’água”. Eu gosto dos meus novos amigos, mas às vezes eles simplesmente
não entendem minhas motivações e estilo de vida.
O fato é que não sei o que vai
acontecer quando encontrar Melanie amanhã. Confesso que isso é um pouco
empolgante, mas se não nos simpatizarmos um com o outro, não vou ficar triste.
Hoje estou com o pé enfaixado, com a
cabeça doendo e torço para ter um pouco de paz. Escuto vozes vindo de todos os
lugares da mansão, mas uma voz sempre se destaca das demais. Bella está
berrando com um garoto chamado Toby, ela não tem o menor jeito com crianças e
não consigo deixar de achar isso engraçado.
***
Não pretendia incluir mais nada em
meu diário hoje, mas já é noite e ainda continuo com a estranha sensação de que
estou dormindo.
Hoje, mais do que nunca, sinto
saudades de casa. Ficar perto do puma ajuda um pouco nessa questão, ele me faz
lembrar de Indah e das coisas que abandonei temporariamente em Malaita. Muito
em breve, quando eu ficar perto de Indah, vai acontecer o contrário. Vou passar
a lembrar deste puma, da mansão e de todas as coisas peculiares que vivenciei,
como o... reencontro com minha mãe.
Nunca imaginei que voltaria a vê-la.
Quando me entregou a meu pai, não deixou um endereço ou telefone de contato.
Lembro-me de que ela tinha uma vida muito incerta, nunca sabia onde estaria na
próxima semana.
Todas as coisas que Sarah falou hoje
ficaram gravadas permanentemente em minha memória, porém ainda não consigo
reagir a elas. Não sinto nada! Nada além dessa... dormência.
Talvez Sarah não tenha conseguido ser
uma mãe convencional porque sempre teve problemas com meus avós, que nem
cheguei a conhecer. Ela engravidou muito jovem, isso agravou a relação
tumultuada que tinha com meu avô. Então Sarah fugiu de casa para se casar com
um cientista que não tinha recursos para manter o estilo de vida que ela estava
acostumada a ter. Meu pai dizia que ambos queriam “viver de amor”, e isso até
poderia ter dado certo se os sonhos individuais de cada um não tivessem falado
mais alto.
Fiquei surpreso quando Sarah me
contou que minha avó faleceu há três anos, e quase um ano depois meu avô
também. Enfatizou que nós éramos a única família deles. Ela me falou algo sobre
uns imóveis que herdei, mas que os vendeu e colocou o dinheiro em uma poupança.
Imediatamente cortei o assunto, pois isso no momento não me interessa. Só quero
completar meu rito de passagem e voltar para Malaita.

Hmmmm esse beijo...
ResponderExcluirAgindo com indiferença com o Brandido... Aleluiiia
Bella acordou pra vida...
Tomara que essa Melanie seja uma chata \o
Ass:Crazy
Obs:Não sou lokoona, apenas o nome que uso pra assinar meu comentarios em Blogs e sites desde 2010
Amei:) amei;) amei;) brijusculo
ResponderExcluirAMEI...ESTOU ADORANDO ESSA FIC!!!!!!!!!!!
ResponderExcluir